Eu e você sabemos que a versão da Disney para a história da Branca de Neve não é a mesma que os irmãos Grimm contaram, e talvez você também desconfie que a própria versão dos irmãos Grimm traz diferenças em relação à história original, que pertence à tradição oral alemã (Schneewittchen).

Uma história pode sobreviver ao tempo, mas não a suas versões. A Branca de Neve pode já não ser mais a mesma, mas até hoje faz sucesso nos teatros infantis. Recentemente, pipocaram no cinema releituras livres do conto, com as vilãs Julia Roberts e Charlize Theron ofuscando as mocinhas. Na ficção, como na vida, às vezes o vilão é mais interessante que o mocinho. Sejamos sinceros: a história de uma jovem linda e desamparada, acolhida por sete anões que vivem isolados na floresta onde não rola nenhuma saliência não é só inverossímil. É, antes de tudo, meio sem graça. Ainda bem que aparece a megera invejosa com a maçã envenenada para acabar com aquela água com açúcar. No fim das contas, o que a gente quer é apenas o velho e atemporal confronto entre a bondade e a maldade.

No entanto, a atemporalidade do conto alemão talvez se deva menos ao embate entre a rainha má e a bela jovem desprotegida e mais aos roomates desta última. Em toda sala de aula, em toda vizinhança, em toda família, em todo escritório, há um Zangado, um Dengoso, um Feliz, um Soneca. Os anões estão dentro de nós. Há quem se identifique mais com uns que com outros, mas cedo ou tarde você descobrirá o Mestre e o Dunga que existem em você. Basta uma friagem e eis o seu Atchin interior dando as caras.

Foi dessa viagem que partimos para convidar os autores do terceiro volume da coleção SE7E, dedicado aos anões da Branca de Neve. Se para o Pedro Bonifrate, Soneca lembra viagens interdimensionais, para o Mestre do Antonio Dutra, ficou reservado o leito de morte. A Carolina Neves e a Camila Vaz não se conheciam, mas é engraçada a similaridade entre suas histórias, apesar das peculiaridades do Dengoso e do Feliz. Só não vou entrar em detalhes porque perde a graça. O jornalista Silvio Essinger tira uma folga das páginas do Segundo Caderno para fazer sua estreia na ficção. A também jornalista Olivia Mendonça também faz sua estreia na ficção. Mas o protagonista atormentado dele nada tem a ver com a protagonista apaixonada dela. Se você assistiu Amélie Poulain, é provável que identifique alguma referência nas viagens do Dunga McGill pelo mundo. E o Rafael Sperling chega de surpresa com um conto-bônus inspirado na Branca de Neve, apresentando uma Rainha obcecada por esperma.

Dessa vez, portanto, chamamos oito autores, e não sete. Oito pequenos relatos inspirados em sentimentos universais. O que você tem nas mãos vai muito além de uma coletânea de contos. É quase uma bomba. E está prestes a explodir. Vire as páginas com cuidado.

André Tartarini, novembro de 2013

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